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ESG 2024: empresas precisam se preparar para avançar junto às práticas empresariais sustentáveis

E a pergunta que não quer calar é: até que ponto, no Brasil, as empresas estão preparadas para lucrar sem deixar de ser sustentável?

À medida que 2024 se aproxima, uma expressão ganha ainda mais destaque: ESG (Environmental, Social and Governance), ou Ambiental, Social e Governança em português. Há duas razões principais para isso.

A primeira é porque no ano que vem, a expressão completa 20 anos de existência no cenário mundial. Depois, desde que foi criada, as políticas de ESG vêm influenciando a forma de as empresas trabalharem e ganharem, mas sem deixar de lado a transparência, uma melhor gestão de riscos e uma estrutura de liderança eficiente, alinhada com os pilares de ética, cultura e valores da companhia. Mas, o que é, na prática, o ESG?

A governança ambiental, social e corporativa é uma perspectiva que averigua até que ponto um negócio está trabalhando em interesse de propósitos sociais que vão muito além de maximizar os lucros. Mas, por outro lado, se apropriando indevidamente do que é considerado como “virtude”, seja ela social, ambiental ou de governança, não são poucos os estabelecimentos que acabam praticando o chamado ‘greenwashing’, onde divulgam uma falsa imagem de sustentabilidade e afirmam serem o que não são, seja utilizando a publicidade, seja colocando informações indevidas nos rótulos.

No entanto, empresas que entendem a importância da prática ESG, e reconhecem a importância da transparência e da adoção genuína de práticas sustentáveis e sociais, estão se tornando imperativas no mundo dos negócios.

Sustentabilidade

A insistência nessa “maquiagem verde” além de trazer problemas ao consumidor, cada vez mais atento às preocupações sociais e ambientais, pode prejudicar a empresa, trazendo consequências, como:

  • estar em inconformidade com a lei;
  • manchar a imagem perante o público;
  • consequências ambientais;
  • perda de investimentos e parcerias;
  • sanções jurídicas, financeiras e contábeis.

A Constituição Federal prevê, em seu artigo 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

“Ser verde, portanto, não pode ser compreendido pelas empresas como modismo ou uma ideologia do “eco-chato”. É um dever de todos ter plena consciência a respeito da preservação dos recursos limitados. Assim, o mercado está sendo forçado a esse fato, e daqui para frente, produtos, serviços e posturas ecológica e socialmente incorretas serão rejeitadas pelos consumidores, mercado e sociedade”, adverte o consultor professor Léo Tostes, diretor de ESG da Assepro-PR/parceria Acate.

Desde sua criação, o conceito tem se consolidado como uma abordagem fundamental para empresas que buscam alinhar suas práticas aos princípios de sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Ao longo dessas duas décadas, o ESG tem impulsionado mudanças significativas nas estratégias empresariais, promovendo ações voltadas para a proteção do meio ambiente, o bem-estar social e o fortalecimento da governança corporativa.

Leo Tostes alerta que embora ainda não exista uma norma concreta para garantir ações sustentáveis das empresas, os principais mercados internacionais estão propondo medidas de transparência de dados verdes. Essa iniciativa indica que a fase de análise está prestes a se transformar em ações concretas. É crucial que as empresas assumam responsabilidade ambiental e adotem práticas sustentáveis para preservar o planeta para as gerações futuras. No Brasil, por exemplo, já está aumentando a cobrança por maior posicionamento das organizações, algo que começou a quase 20 anos no mercado financeiro, agora chega mesmo nas pequenas empresas.

“As grandes começam a cobrar que seus parceiros na cadeia de fornecimento comece a mensurar suas emissões de gases efeito estufa, que tenha maior diversidade em seus quadros, que a organização demonstre solidez e transparência em suas iniciativas. Cada vez haverá menos espaço para as empresas que não assumem qual o papel que querem desempenhar no combate aos desafios ambientais, sociais e de responsabilidade para com a companhia, mercado, governo e sociedade”, destaca Tostes, CIO e cofundador da Impactability, consultoria de inovação cujo objetivo é ajudar organizações a acelerarem suas agendas ESG de forma inovadora.

Social e Governança

Ele complementa, ainda, que quem pensa ESG e investe em políticas “sociais” têm a vantagem de impactar o valuation da empresa por meio do fortalecimento da reputação da marca, bem como pela forma com que o negócio se relaciona com seus clientes e atrai talentos, estendendo ainda esse relacionamento para a sociedade ou determinadas comunidades. Já a governança corporativa é útil para o alinhamento dos interesses dos proprietários e dos administradores para que haja uma sequência de passos na trajetória traçada. “Os benefícios são credibilidade, transparência, valorização, redução de riscos, melhoria do desempenho e produtividade”, enaltece Leo.

Informações ESG das empresas

Diante disso, já começou uma contagem regressiva para que as empresas comecem a esclarecer, em seus demonstrativos dados como os motivos para não aplicar as práticas ESG; políticas de controle do inventário de emissões de gases de efeito estufa; riscos sociais, ambientais e climáticos inerentes ao negócio; e relatórios de diversidade contendo a quantidade de funcionários por grupo de identidade de gênero, raça, cor e idade de todos os níveis de hierarquia.

Tamanha a importância e a urgência do assunto, a Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação – Assespro-Paraná Acate, ministrou uma palestra abordando “O que é a ESG e como isso impactará o seu negócio”. A atividade foi conduzida por Tostes gratuitamente, de forma virtual, no dia 10 de outubro, no canal da Associação no YouTube.

No encontro, Tostes comentou que, para que uma empresa seja considerada ESG ela deve promover ações que proporcionem bem-estar dos colaboradores e da comunidade no entorno, ser sustentável no que tange aos recursos do meio ambiente e contar com uma governança ética em seus processos.

“O desafio é que não dá para fazer tudo isso da noite para o dia. São mudanças de comportamento que demandam proatividade, envolvimento de toda a equipe e força de vontade. Para que ideias saiam do papel, é necessário começar a trabalhar ‘ontem’, porque quem negligenciar o posicionamento verde que os clientes e demais públicos esperam sobre os modelos de produção e gestão, sofrerá consequências severas a pequeno, médio e longo prazo”, detalha.

O especialista afirma que ser ESG é a única chave para o vínculo de práticas sustentáveis com lucro.

“Acredito que os empreendedores devem entender que a governança ambiental, social e corporativa não é apenas um investimento, mas também uma estratégia essencial para o sucesso a longo prazo. A integração de práticas sustentáveis pode gerar benefícios financeiros, além de fortalecer a reputação da empresa e atrair consumidores cada vez mais consciente”, completa.

Desafios mundiais

Vale salientar que a tentativa de zerar, até 2050, as emissões líquidas de gases de efeito estufa e tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais reclamará o investimento de US$ 125 trilhões, principalmente em tecnologia e infraestrutura, conforme aponta a Glasgow Financial Alliance for Net Zero.

Por sua vez, o estudo da Accenture “Reaching Net Zero by 2050”, que analisou dados de mais de 1 mil empresas com cotação nas principais bolsas da Europa, demonstrou que definir metas ESG ajuda a acelerar a transição para net-zero (quando uma organização reduz as suas emissões de CO? a zero), ou alcança um equilíbrio entre a quantidade de emissões de gases de efeito estufa (GEE) que produz e a quantidade removida da atmosfera.

Assim, durante os últimos 10 anos, os negócios que estipularam um propósito net-zero, reduziram em 10% aproximadamente as suas emissões, ao passo que as empresas que não fizeram nada aumentaram as emissões de gases nocivos à atmosfera. Com uma visão voltada para o futuro, a expectativa é que nos próximos anos o ESG continue a evoluir e se tornar ainda mais relevante, impulsionando uma transformação positiva nos negócios e na sociedade como um todo de maneira mais organizada, a partir de regras estabelecidas por reguladores dos principais mercados de capitais.

 

 

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