Covid-19: Com redução de streaming, Internet garante qualidade e latência das conexões
Apesar de variações na velocidade de download, latência e perda de pacotes, não houve problemas sistêmicos na rede
Os efeitos da pandemia do coronavírus no país não refletem, até o momento, degradação importante da qualidade da Internet no Brasil. É o que apontam os relatórios produzidos pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (Ceptro.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Os relatórios tem como base os diversos parâmetros monitorados pelo Sistema de Medição de Tráfego (SIMET), consolidados em nível nacional, regional e por Estado, e são divulgados semanalmente em: https://ceptro.br/publicacoes/.
São consideradas métricas de qualidade da Internet, como latência (medida de tempo para uma mensagem ir a um destino e voltar); jitter (variação da latência na transmissão sequencial das mensagens); velocidade de download (rapidez com que um arquivo pode ser baixado de um serviço na Internet); velocidade de upload (rapidez com que um arquivo pode ser enviado a um serviço na Internet); e perda de pacotes (percentagem de mensagens enviadas pela rede que não conseguiram chegar ao destino).
“A quarentena resultou em um crescente número de videoconferências, além de uma maior demanda da rede para a prestação dos mais diversos tipos de serviços, desde os de entrega (delivery), de entretenimento (streaming de filmes), de comércio eletrônico, serviços públicos, ensino e informação, acarretando um maior tráfego Internet. Esse incremento pode ser visto nas curvas do IX.br (Brasil Internet Exchange), cujo pico diário de tráfego Internet passou de 11 Tb/s”, explica Milton Kaoru Kashiwakura, Diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento do NIC.br.
O primeiro estudo “Influência da Covid-19 na qualidade da Internet no Brasil” traz um panorama de 31 de janeiro a 5 de abril, que inclui medições anteriores ao aparecimento do primeiro caso de Covid-19 no país no dia 26 de fevereiro. Nesse período, foram coletadas 970.676 medições, com uma média diária de 14.712.


Panorama regional
Em relação às diferentes regiões do país, não houve um padrão nas oscilações das métricas durante o período analisado, sendo que alguns estados, como Ceará, Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas e o Distrito Federal, não apresentaram mudança de padrão para nenhuma métrica. Porém, outros apresentaram alguma piora em pelo menos uma das categorias. A Bahia, por exemplo, exibiu pequeno aumento de latência para tipos de provedores. O Rio Grande do Sul também apresentou aumento da latência na capital.
O documento também aponta uma melhora na qualidade da Internet em outros estados e cidades, como a capital de São Paulo, que demonstrou um aumento das velocidades de download e upload durante a Covid-19. As regiões Sul e Sudeste mostram melhores valores em todas as métricas de qualidade de Internet, seguidas das regiões Centro-Oeste e Nordeste e, por fim, da região Norte.
“Os dados podem ser usados por gestores públicos, academia e outros atores que têm como foco o desenvolvimento de políticas públicas, especialmente em conectividade, para investigarem possíveis fatores, fomentarem outros estudos e formularem processos de transformação tecnológica nessas regiões ou estados”, finaliza Kuester.
Os relatórios seguintes, que analisam as semanas de 6 a 12/4, e 13 a 20/4 também concluem que o tráfego Internet no país estabilizou nos valores pós redução da qualidade de streaming. Para acessar os documentos na íntegra, visite https://ceptro.br/publicacoes/.
Fonte: NIC.br
