Agenda Brasil Mais Competitivo | MDIC lança inciativa com 24 projetos prioritários para substituir a Agenda de Redução do Custo Brasil
Nesta quarta-feira (24), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), realizou o lançamento da Carteira de Projetos da Agenda Brasil Mais Competitivo 2026-2027 – em substituição à Agenda de Redução do Custo Brasil.
Trata-se de iniciativa que reúne 24 projetos prioritários voltados ao fortalecimento da competitividade da economia brasileira, com expectativa de impacto potencial estimado em R$ 341,6 bilhões por ano para o setor produtivo, por meio da redução de burocracias.
Dentre os projetos prioritários selecionados, destacamos os seguintes contemplando temas relacionados à:
- abertura de empresas:
- Efetivação do princípio “conte-nos apenas uma vez”; e
- Instituição de balcão único nacional para abertura e regularização de empresas;
- sistema tributário:
- Domicílio Tributário Virtual: segurança jurídica para empresas sem sede física; e
- Reforma da tributação da renda corporativa: mais investimentos e competitividade;
- mercado financeiro:
- Apoio à aprovação do PL 2926/2023 (Novo Marco das Infraestruturas do Mercado Financeiro); e
- Apoio à aprovação do PLP 281/2019 (Modernizar os regimes de resolução bancária);
- inovação:
- Adoção da Política Pública Nacional de Biometria; e
- Alteração da Lei nº 13.483/2017 (Prorrogação da utilização da Taxa TR para Inovação no BNDES);
O LANÇAMENTO
Durante o lançamento, o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento , Indústria, Comércio e Serviços) afirmou que a competitividade precisa ser tratada como uma política permanente de Estado. Segundo ele, a ausência de iniciativas estruturadas nessa área pode comprometer o crescimento econômico e a capacidade de atração de investimentos.
Já o secretário de Competitividade e Política Regulatória do MDIC, Pedro Ivo, informou que a carteira de 24 projetos foi construída a partir de ampla consulta pública realizada entre março e maio deste ano, com quase 300 contribuições de entidades do setor produtivo, associações empresariais e órgãos de governo, destacando seu caráter dinâmico: projetos poderão ser concluídos, substituídos ou acrescidos conforme novas prioridades econômicas e políticas.
O evento contou ainda com as contribuições de:
- Júlia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV/MDIC):
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- Defendeu que sustentabilidade e inovação são vetores centrais da competitividade brasileira, destacando o potencial econômico da bioeconomia e da matriz energética limpa do Brasil.
- Apresentou ainda o Selo Verde Brasil, destinado a reconhecer produtos sustentáveis e explicou que o selo deverá ser utilizado nas compras públicas, mediante margens de preferência, e poderá facilitar o acesso de produtos brasileiros aos mercados internacionais, especialmente no contexto do acordo Mercosul-União Europeia.
- Rodrigo Fonseca, secretário-adjunto da Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil:
- Destacou o papel da Casa Civil na articulação das diversas políticas públicas (Nova Indústria Brasil, PAC, sustentabilidade, energia etc.) e defendeu maior convergência entre ministérios para evitar fragmentação das ações governamentais.
- Enfatizou o papel estratégico da Secretaria de Competitividade e Política Regulatória (SCPR) na coordenação da agenda, observando que seu trabalho consiste justamente em remover entraves para que outras políticas avancem.
- Marília Marcato, assessora da Presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES);
- Ressaltou a importância da previsibilidade, da definição de prioridades e da governança para o sucesso das políticas industriais, defendendo a permanência dos instrumentos de financiamento ao desenvolvimento, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e o Fundo Clima.
- Afirmou que a agenda trata a competitividade sob uma perspectiva estrutural e sistêmica, e não apenas conjuntural e reforçou o apoio institucional do BNDES à implementação da carteira.
- Tatiana Ribeiro, diretora-executiva do Movimento Brasil Competitivo (MBC):
- Destacou a evolução da governança da agenda, com criação de um comitê interministerial e maior transparência por meio do observatório da carteira de projetos.
- Ressaltou que a agenda foi construída a partir da escuta do setor produtivo, defendendo que a iniciativa evolua para uma política permanente de Estado.
- Mário Sérgio Teles, diretor-adjunto de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI):
- Enfatizou a importância da continuidade das políticas públicas, independentemente de mudanças de governo, defendendo que a Nova Indústria Brasil (NIB) e a reforma tributária sejam tratadas como políticas de Estado.
- Segundo sua avaliação, a Agenda Brasil Mais Competitivo complementa o programa Brasil Mais Produtivo, tratando da competitividade “do portão para fora” da indústria, ressaltando que energia cara e Custo Brasil prejudicam tanto exportações quanto a competição com produtos importados no mercado interno.
- Valter Souza, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT):
- Defendeu maior investimento em infraestrutura logística, destacando que, nos últimos 10 anos, a malha rodoviária cresceu apenas 1%, enquanto a frota aumentou cerca de 50%.
- Alertou que o predomínio do transporte rodoviário aumenta custos logísticos e emissões, defendendo maior diversificação dos modais.
A AGENDA BRASIL MAIS COMPETITIVO
A nova agenda busca proporcionar condições institucionais, regulatórias, logísticas, tributárias, financeiras, produtivas com vistas ao aumento da capacidade de gerar investimentos, inovação, empregos e crescimento sustentável, com base em três eixos prioritários, quais sejam: infraestrutura, acesso a insumos básicos – especialmente energia elétrica e gás natural – e ambiente jurídico-regulatório eficaz.
Com isso, deverá orientar a atuação do Governo Federal na formulação de projetos legislativos, regulamentações infralegais e articulação institucional junto aos demais órgãos da Administração Pública, visando à implementação das medidas consideradas estratégicas para a redução do Custo Brasil e o fortalecimento da competitividade nacional.
Confira a Carteira de Projetos selecionada para a nova agenda de trabalho 2026-2027 e seus respectivos projetos prioritários:
Adoção da Política Pública Nacional de Biometria
- Institui uma política nacional para ampliar o uso da biometria em portos, aeroportos e demais sistemas de transporte.
- Prevê a criação de um comitê gestor interministerial responsável por coordenar sua implementação.
- A iniciativa poderá ser expandida para outros ambientes, como transporte rodoviário de passageiros, estádios, escolas, sistema penitenciário e controle de fronteiras
Redução dos encargos setoriais incidentes sobre a conta de energia elétrica
- Reduz subsídios concedidos a fontes renováveis, diminuindo os encargos incidentes sobre a tarifa de energia.
- Aperfeiçoa a formação de preços no setor elétrico.
- Contribui para reduzir o Custo Brasil e aumentar a produtividade e a competitividade da economia.
Apoio à aprovação do PL 2926/2023 (Novo Marco das Infraestruturas do Mercado Financeiro)
- Moderniza o marco regulatório das infraestruturas do mercado financeiro.
- Busca ampliar a eficiência, a segurança jurídica e a competitividade do sistema financeiro nacional.
Domicílio Tributário Virtual: segurança jurídica para empresas sem sede física
» Atualiza o Código Tributário Nacional para reconhecer o domicílio tributário virtual de empresas sem estabelecimento físico, como startups, empresas digitais e consultorias remotas.
» Permite que essas empresas utilizem plataformas digitais ou endereços eletrônicos como domicílio oficial para comunicações, intimações e definição da competência tributária.
» A medida reduz insegurança jurídica e custos administrativos para empresas que operam em ambiente digital.
Apoio à aprovação da PEC 18/2025 (PEC da Segurança Pública)
- Fortalece a integração entre os órgãos de segurança pública por meio do compartilhamento obrigatório de bases de dados.
- Aprimora o combate ao crime organizado interestadual e transnacional, preservando a autonomia dos estados e municípios.
- Confere status constitucional aos Fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário, garantindo maior estabilidade de financiamento.
- Ao reduzir roubos, furtos de cargas, extorsões e outros custos relacionados à insegurança, melhora o ambiente de negócios e aumenta a previsibilidade para investimentos
Apoio à aprovação do PL 2373/2025 (moderniza o marco legal das concessões e PPPs)
- Atualiza o marco legal das concessões e parcerias público-privadas.
- Agiliza o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos e amplia a segurança jurídica.
- Estimula investimentos privados ao reduzir riscos regulatórios.
- Permite novas fontes de receitas para concessionárias e aperfeiçoa a distribuição de riscos entre o poder público e a iniciativa privada.
Efetivação do princípio “conte-nos apenas uma vez”
- Visa aperfeiçoar a Lei nº 14.129/2021, impedindo que órgãos públicos solicitem documentos e informações já disponíveis em bases governamentais interoperáveis.
- Obriga a Administração Pública a compartilhar e reutilizar automaticamente dados já fornecidos pelas empresas.
- Reduz burocracia, custos administrativos e retrabalho.
- Torna processos como licenciamento, abertura de empresas e alterações contratuais mais rápidos e previsíveis.
Aprimoramento dos sinais de preços no setor elétrico
- Aperfeiçoa a formação de preços da energia elétrica em toda a cadeia.
- Inclui mudanças no Mercado de Curto Prazo e na precificação da transmissão e distribuição.
- Busca tornar os sinais econômicos mais eficientes para consumidores e investidores.
Simplificação do Sistema Tributário do Transporte de Gás Natural
- Simplifica a tributação incidente sobre o transporte de gás natural.
- Reduz custos administrativos decorrentes do cumprimento de obrigações tributárias.
- Favorece a concorrência e aumenta a eficiência do mercado de gás.
- Em conjunto com outras medidas para o setor, possui potencial de reduzir custos em cerca de R$ 23 bilhões.
Harmonização Regulatória no Setor de Gás Natural
- Uniformiza regras entre União e entes federativos.
- Alinha a regulamentação ao novo marco federal do gás.
- Aumenta a segurança jurídica, atrai investimentos e fortalece a concorrência.
Criação das Zonas Francas de Bioeconomia e Sustentabilidade (ZFBiosS)
- Cria zonas voltadas ao desenvolvimento da bioeconomia e da inovação baseada na biodiversidade brasileira.
- Estimula a instalação de novas empresas e indústrias, especialmente micro e pequenas empresas e startups.
- Incentiva estados e municípios a fortalecer seus ecossistemas locais de inovação.
Redução gradual dos subsídios à geração distribuída
- Antecipação da redução dos subsídios concedidos à micro e minigeração distribuída.
- Implantação de tarifa horária para tornar o consumo mais eficiente.
- Reforço da fiscalização de empreendimentos que descumpram a regulamentação.
Alteração da Lei nº 13.483/2017 (Prorrogação da utilização da Taxa TR para Inovação no BNDES)
- Torna permanente a utilização da Taxa Referencial (TR) nas operações do BNDES voltadas à inovação.
- Mantém condições mais favoráveis de financiamento para projetos de inovação tecnológica e digitalização.
- Preserva um dos principais instrumentos públicos de apoio ao investimento inovador.
Instituição de balcão único nacional para abertura e regularização de empresas
- Cria um sistema único nacional para abertura, alteração e encerramento de empresas.
- Torna obrigatória a integração dos Estados e Municípios à Redesim (Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios).
- Elimina exigências paralelas e reduz burocracia para empreendedores.
Apoio à aprovação do PLP 281/2019 (Modernizar os regimes de resolução bancária)
- Atualiza o regime brasileiro de resolução bancária.
- Alinha a legislação aos padrões internacionais.
- Reforça a estabilidade e a segurança do sistema financeiro
Reforma da tributação da renda corporativa: mais investimentos e competitividade
- Reduz a tributação incidente sobre lucros retidos e altera a tributação de dividendos – PL 2015/2019 (cobrança de IR sobre lucros e dividendos).
- Aproxima o modelo brasileiro dos padrões adotados pela OCDE e pelo G20.
- Estimula reinvestimentos e amplia a competitividade das empresas.
Regulamentação Econômica dos Serviços de Praticagem
- Introduz regras econômicas para a prestação dos serviços de praticagem.
- Amplia transparência e previsibilidade na formação de preços.
- Corrige distorções identificadas por OCDE, CADE e TCU em um mercado com características monopolísticas.
Regras claras para uma transição eficiente ao mercado regulado de carbono
- A proposta estabelece regras de transição para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
- Define cronograma de adaptação, critérios de fiscalização e interoperabilidade entre metodologias.
- Reduz custos de conformidade e aumenta a segurança regulatória para as empresas.
Aperfeiçoamento da regulamentação da cabotagem com foco na previsibilidade regulatória e eficiência logística
- Organiza e consolida normas aplicáveis ao transporte de cabotagem.
- Aumenta a estabilidade regulatória e a segurança dos contratos.
- Busca elevar a eficiência logística nacional.
Regulamentação do rateio do ERCAP com sinal ao perfil de carga
- Define critérios para o rateio do Encargo de Reserva de Capacidade na forma de Potência.
- Ajusta a cobrança ao perfil de consumo dos agentes e melhora os sinais econômicos para operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Regulamentação dos critérios de ressarcimento e ordenamento do curtailment
- Estabelece critérios para ressarcimento e rateio dos custos decorrentes dos cortes de geração renovável.
- Amplia segurança jurídica e previsibilidade para investidores.
- Inclui a micro e minigeração distribuída no compartilhamento dos custos do sistema.
Regulamentação da Nova Lei do Gás Natural (gas release, acesso às infraestruturas essenciais e outros)
- Regulamenta dispositivos previstos na Nova Lei do Gás (Lei nº 14.134/2021).
- Amplia a segurança jurídica e favorece a abertura do mercado de gás natural.
- Em conjunto com outras medidas do setor, poderá gerar redução estimada de R$ 23 bilhões em custos para o setor produtivo.
Desenvolvimento da produção de gás onshore, em campos maduros e marginais
- Estimula a exploração de campos terrestres maduros e marginais.
- Busca ampliar a oferta nacional de gás natural e petróleo.
- Reduz a dependência de grandes projetos offshore e fortalece a segurança energética.
Regulamentação da Reinjeção
- Regulamenta regras para maximizar o aproveitamento da produção nacional de gás natural.
- Define critérios para reinjeção em contratos de concessão e partilha.
- Busca ampliar a oferta de gás natural no mercado interno, com maior previsibilidade regulatória e preços mais competitivos.
Clique aqui e acesse a íntegra da carteira da nova Agenda Brasil Mais Competitivo
Atenciosamente
Deybson de S. Cipriano – Presidente da Federação Assespro
Adriano Krzyuy – Presidente da Assespro-PR
