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54% dos usuários da internet não sabem quando sofreram fraude; saiba como se proteger

34% dos usuários de internet já tiveram suas contas acessadas sem o seu consentimento, 82% já tentaram apagar seus dados em alguma rede social e 54% não sabem quando seus dados foram fraudados. As informações são do estudo Global Privacy Report 2020, realizado pela empresa especializada em segurança cibernética Karspersky em pesquisa realizada entre janeiro e fevereiro de 2020 com 15 mil pessoas de 23 países. Com o aumento do consumo de internet durante o isolamento social, é importante lembrar que todo tráfego de informações gera dados que são importantes para o mercado de tecnologia. Mas você sabe qual é o valor dos seus dados e como se proteger de fraudes e falsificação de identidade?

As invasões, fraudes e apropriação de dados podem ser utilizadas para criar perfis falsos, captar número de telefones, documentos e fraudar contas bancárias. As fraudes se tornam ainda mais complexas pois criminosos têm o hábito de compartilhar dados entre si, criando uma rede de colaboração. Pensando no aumento do volume de informação transacionada e um cenário de pandemia e isolamento social, empresas e pessoas físicas ficam mais vulneráveis a ataques cibernéticos.

Para Bianca Lopes, fundadora da empresa de soluções de comunicação para o mercado financeiro e de tecnologia Talle e consultora da TransUnion, especializada na análise de crédito, os dados são a maior riqueza da sociedade atualmente. Toda interação gera um dado:”curtidas, comentários, downloads e formulários para participar de eventos online. Estas informações são utilizadas para traçar um parâmetro e facilitar nossa navegação – como a partir de senhas salvas automaticamente – mas podem vir a ser conteúdo para fraudes.

A especialista alerta que estamos vulneráveis quando nossos dados circulam sem sabermos onde, ou quando aceitamos termos e condições de um aplicativo sem saber exatamente o que estamos oferecendo – e 74% dos usuários aceitaram os termos em condições sem ler, segundo a pesquisa The Biggest Lie on the Internet: Ignoring the Privacy Policies and Terms of Service Policies of Social Networking Services (A grande mentira da internet: Ignorando as Políticas de Privacidade e os Termos de Serviço da Rede Social), realizada pelos pesquisadores Anne Oeldorf-Hirsch e Jonathan Obar em 2018.

“Nós criamos dados constantemente, quando postamos no LinkedIn ou quando dividimos uma localização, e normalmente não temos muita cautela nem muito zelo sobre com quem nós estamos dividindo e como estamos dividindo essas informações”, explica.

Na visão da especialista, dois pontos tornam nossa navegação mais vulnerável a fraudes. “Primeiro há uma falta de conscientização sobre o que são seus dados e qual seu valor. Em segundo lugar, nos falta uma estrutura de identidade digital que nos permita compartilhar nossos dados de maneira segura”, detalha.

Bianca ressalta ainda que, quando utilizamos algum serviço gratuito na internet, ele provavelmente está captando algum tipo de informação, ainda que de forma anônima (por exemplo ao mapear um parâmetro de navegação sem captar dados pessoas) e cabe ao usuário pensar se esta troca é segura e igualitária.

“Quando a gente pensa em um serviço de graça, o produto são você e seus dados, o produto é a informação que você está compartilhando”. E completa: “o consumidor precisa pensar na moeda de troca. Se eu estou dando meu dado, que serviço estou recebendo? A troca está correta ou assimétrica? ”, questiona. 

Nossa navegação é segura?
No Brasil uma lei aprovada em 2018 traz segurança para o usuário e obriga empresas a serem transparentes. Na prática, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) tem prazo máximo de implementação previsto para agosto deste ano, mas por conta da pandemia a data está em processo de adiamento.

A lei prevê diversas sanções administrativas para a empresa que não seguir os dez princípios de segurança para o armazenamento de informações de seus clientes. Entre eles, estão finalidade, necessidade, livre acesso, transparência, prevenção e prestação de contas. O não cumprimento das obrigações pode acarretar multa de até R$ 50 milhões para a empresa, levando em consideração seu valor máximo de faturamento. Toda organização, grande ou pequena, que mantém algum tipo de cadastro ou registro de informação de clientes deve se adequar à nova legislação.

Na visão de Ana Lúcia Bittencourt Starepravo, diretora da Integrow, consultoria especializada em Ética e Gestão de Riscos, além de diretora adjunta da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (ASSESPRO-PR), a legislação vai ser benéfica tanto para as empresas quanto para os usuários, representando maior segurança.
“As empresas poderão rever processos de coleta de dados e apagar muitas informações, o que vai trazer economia gigante. As organizações não vão guardar informações inúteis. Se adequar à LGPD vai melhorar a imagem das empresas no mercado”. Ou seja: para o usuário, será importante entender onde as informações estão, quais dados são oferecidos e para que são utilizados. 

Para Bianca, mesmo com a lei, há muito avanço pela frente. “Nós temos muito trabalho a fazer na conscientização do que nosso dado significa. Quando entramos em alguma plataforma com login via Facebook ou Google, nós não lemos a letra pequenininha sobre quais acessos estamos dando para nossa conta. Apesar da lei estar vindo aí, ainda há um grande passo a ser dado em relação a segurança da identidade digital.” explica.

Questione-se
A expert em dados selecionou algumas dicas para que possamos melhorar a nossa segurança na internet. Confira:

  1. Se a informação for muito privada ou confidencial não compartilhe.
  2. Sempre que possível, prefira usar a tecnologia de biometria em vez de senhas para desbloquear celulares ou aplicativos bancários, por exemplo. 
  3. Não utilize senhas contextuais como datas de aniversário ou dados que estejam disponíveis sobre você na internet.

Fonte: Gazeta do Povo

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